quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Credit Default Swap



Um CDS (Credit Default Swap) é um seguro de incumprimento emitido por uma Seguradora.

Exemplo: Um Estado ou uma Empresa emitem Dívida, (através de Obrigações, por exemplo). Na maturidade (fim do prazo da Dívida), o Emitente (Estado ou Empresa) não consegue reembolsar o comprador. A Seguradora paga o Capital investido ao Investidor.

O número de CDS emitidos é, no máximo, igual ao número de títulos de Dívida emitidos.

Se o preço dos CDS sobe e desce, é sinal de que alguns compradores da Dívida, NÃO ESTANDO PREOCUPADOS COM O INCUMPRIMENTO DO EMITENTE, venderam os seguros (CDS) que haviam comprado (Como se um de nós vendesse o seguro do automóvel pois não estava preocupado em ter um acidente).

Os CDS são um instrumento altamente especulativo: o Comprador de Obrigações que comprou o seguro (CDS) vende-o numa expectativa de o recomprar mais barato (mais tarde) e assim diminuir ou anular o custo inicial do seguro, isto é, corre o risco de enquanto anda a vender e a comprar os seus próprios CDS, o Emitente falir e ele ficar com Capital zero.

Como os verdadeiros interessados nos CDS (os compradores de Dívida) os vendem, outros (que não precisam do seguro pois não compraram Dívida), vão comprando e vendendo, tipo daytrading, aumentando a especulação.

Para aumentar ainda mais a especulação e consequente volatidade, os CDS não são transaccionados à vista e em contínuo (como as acções do BCP, PT, EDP, etc, que aparecem nos vossos streamers a mudarem de preço a cada segundo que passa), mas em Mercado OTC (grosso modo: Por Debaixo da Mesa ).

Quando se diz que um CDS está nos 150 pontos, isso significa que o seguro (CDS) custa 150 EUR por cada 10,000 EUR, ou seja, o seguro (CDS) custa 1,50% do preço da Obrigação. Se a Taxa de Juro da Obrigação for de 4%, o Investidor só ganha 2,5% (4% - 1,5%).

Ao contrário do que tenho visto escrito, o valor máximo histórico de um CDS da República Portuguesa foi atingido em 16 de Fevereiro de 2009 nos 161 pontos.

Nessa altura, ninguém falava dos CDS: alguns deveriam pensar que se tratava de simpatizantes do partido do Dr Paulo Portas.

A Taxa de Juro das Obrigações sobe, porque o preço das mesmas, transaccionadas em Bolsa, desce.

As razões que levam as Obrigações a descerem de preço (e consequentemente as Taxas de Juro a SUBIR), poucas vezes têm a ver com os riscos de incumprimento: sempre que os Investidores pretendem aumentar o risco das suas carteiras, vendem activos de menor risco (Obrigações) para poderem comprar activos de maior risco (acções). E sempre que há pressão vendedora, o preço desce.

Sendo a Dívida da República Portuguesa emitida a taxa fixa, e ao contrário do que tenho visto escrito, as actuais variações das Taxas de Juro e dos CDS, não representam qualquer aumento de custo para Portugal, em toda a Dívida já emitida. Irão sim representar aumentos de custo via Taxas de Juro, na Dívida Pública que o Estado Português VIER A EMITIR.

Compete ao Emitente, neste caso ao Estado Português, escolher o momento conveniente para emitir Dívida. Exemplo: Em 3 de Fevereiro, o Estado Português tinha como valor indicativo de emissão 500 M de EUR. Havia compradores para 1,95 mil milhões ou seja 3,9 VEZES MAIS. O Estado Português entendeu que as Taxas Juro pretendidas pelos Investidores eram elevadas, mandou-os passear, e dos 1,95 mil milhões de Dívida que os Investidores pretendiam comprar, só lhes vendeu 300 M ou seja 6,5 VEZES MENOS a uma taxa média ponderada de 1,379%.

Em resumo: Sem pretender esconder debaixo do tapete os graves problemas financeiros do País, É UM FACTO, que mais do que a gravidade desses problemas, o que nos está a matar nos Mercados Financeiros e a arruinar o nosso futuro, é a especulação à volta dos CDS e das Taxas de Juro, os Contractos de Futuros sobre Taxas de Juro, os derivados dos CDS, etc. Nada de novo: Em 2007, morreram milhares de pessoas à fome em África (e não só), pois a especulação feita através de derivados sobre os produtos alimentares (trigo, soja, milho, etc), levou-os a preços tão elevados que os mais pobres não os podiam comprar.

O mesmo se passou com o petróleo, que chegou aos USD 137 em Julho 2007. Como escreveu Warren Buffet, duas semanas depois do 11 de Setembro 2001: As verdadeiras armas de destruição massiva não são as armas nucleares, quimicas, etc. São os Derivados Financeiros .

É o mundo que temos e que todos construímos.

Finalmente: Os CDS e quejandos não merecem a atenção que lhes tem sido dispensada: quando a estupidez e a irracionalidade dos jogadores de Bolsa diminuir, tudo isto irá melhorar.

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